sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Tenho 15 anos de coisas para te dizer. Tenho coisas para te dizer que não vais acreditar. 15 anos são muitas coisas. Às vezes coisas a mais e às vezes coisas a menos. Quem casou com quem, quem está gordo, quem está magro, quem tem filhos, quem são as manientas que viraram sopeiras, e as sopeiras que viraram estrelas. Quem deixou de ir à Foz, eu deixei de ir à Foz.Já ninguém passa férias na Foz. O Sitio fechou e nunca mais abriu. Os nossos melhores amigos, nunca mais falei com eles. Sei que uns estão bem e outros estão mal, mas raramente os vejo. O nosso grande amigo deixou de me falar, não sei porquê e agora também já não quero saber, já foi há tanto tempo. Não há tanto tempo quanto o tempo das coisas que tenho para te dizer. Mas já foi há muito tempo. Já não vivo nas Caldas. Nem tenciono voltar a lá viver. Tenho um filho. Um filho. O mais lindo de todos, daqueles reguilas que tu achas graça. Casei com o Rui. Achas normal? É mesmo verdade. Foste minha madrinha. Tenho saudades tuas miúda. Mesmo. Apetece-me agarrar no telefone ao fim do dia e ligar-te. Ligar-te para falarmos do que aconteceu no liceu. Apetece-me ligar-te para saber se o teu pai te deixa ir ao Daiquiri e para te dizer como estão as negociações cá em casa. Apetece-me abraçar-te e contar-te tudo, tudo o que tenho dentro de mim que só seria capaz de te contar a ti. A ti e a mais ninguém. Há uma parte de mim que terá sempre a mesma idade que tinha há 15 anos atrás. Há uma parte de mim que ficará para sempre lá para ficar sempre contigo. Iolanda.
photo by tlis
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Quando era garota era fã incondicional do Michael Jackson (e ainda sou!). Quem me conheceu por esses tempos lembra-se com certeza. As paredes do meu quarto não tinham espaço livre tal era a quantidade de posters e recortes da Bravo que lá estavam colados. Na t-shirt que os meus primos me trouxeram do concerto dele em 92 cabiam 3 iguais a mim, mas vestia-a praticamente todos os dias. Ainda a guardo. O meu Pai não me autorizou a ir com eles, fiquei tão triste que acho até que ele se arrependeu. O MJ era meu amigo. Imaginava-me a passar férias no NeverLand Ranch, conversávamos sobre música e visitávamos os animais que ele lá tinha. Eramos mesmo amigos.
À medida que fui crescendo fui ganhando outros amigos, um deles é o Zé. Tornei-me amiga do Zé na faculdade. Fui à FNAC à procura de um livro para ler, sem a ideia de que para além de trazer de lá um livro iria também fazer um amigo. Depois de algum tempo a passear pelos corredores e a ler os resumos das lombadas dos livros (isto deve ter algum nome técnico que eu desconheço...) encontrei um que me chamou a atenção. Morreste-me. E como diria o Jerry Maguire you had me at hello! Morreste-me é muito mais do que alguém que amamos morrer, é essa pessoa morrer de tal maneira que a morte nos chega às entranhas. E era mesmo isso que me tinha acontecido. O meu Pai não morreu só, ele morreu-me, morreu-me até às entranhas. Apróximamo-nos das pessoas que têm coisas em comum connosco, dizem os mestres da Sociologia e a minha vida também. E foi assim que conheci o Zé. Comecei a ler o livro no metro mas não conseguia segurar as lágrimas e achei melhor lê-lo quando chegasse a casa. E nunca mais chegava a casa. Parecia o meu filho quando o pai lhe diz: quando chegarmos a casa vamos andar de skate, o garoto vai o caminho todo: já chegámos, já? Chorei baba e ranho, mesmo, e como eu gosto de chorar. Gosto de me emocionar. Pela primeira vez alguém conseguia explicar por palavras o que eu senti, sinto e sentirei o resto da minha vida. Parecia que o Zé tinha entrado no meu cérebro, descodificado as minhas emoções e depois tinha escrito um livro sobre isso. E foi assim que conheci o Zé. O livro que comprei nesse dia já não o tenho, ofereci-o a alguém na esperança que compreendesse o que eu senti, sinto e sentirei. Comprei outro igual. Mais tarde ofereci-o a alguém a quem sabia que iria ter exactamente o mesmo impacto que teve em mim. E teve.
Há uns meses fui com a canalhada toda ao parque de insuflaveis. A loucura devo confessar. Com o entusiasmo de ver o entusiasmo do meu garoto de 2 anos destemido a andar naqueles escorregas passo apressada por uma cara que me parece familiar. Era o Zé, o meu amigo. Nesta altura ele ainda não sabia que era meu amigo mas eu não me contive e tive que lhe ir dizer. Agarrei no Santiago por um braço, o Rui com a camara em punho, enchi-me de coragem e fui falar com o Zé. Achei que ele deveria saber que o que ele faz é muito bom e que mudou a minha vida e que ele era meu amigo. Estava tão nervosa que não lhe consegui dizer tudo o queria. Disse-lhe que estava a ler o Abraço, mas queria ter-lhe dito que chorei com a carta que ele escreveu para o filho, que me revejo na forma como ele admira as pessoas que o rodearam enquanto cresceu, que conheço Galveias sem nunca lá ter estado. Perguntou-me o meu nome e tratou-me por tu, eu era amiga dele há muitos anos mas ele só me estava a conhecer naquele instante. Acho que ele ficou contente por saber que eu era amiga dele há muito tempo, eu fiquei contente por lho dizer. Grande Zé, és meu amigo.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
primeiro dia de escola
Mas que difícil que é para mim dar este passo. Sempre achei
que alguém que se lembra de fazer um blog tem obrigatoriamente que ter alguma
coisa de interessante e de diferente a dizer, de blogs de coisas
fofinhas-queridas-cocós-chichis-pseudo-intelectuais-de-esquerda-e-de-direita-super-fashion-e-notsomuch
está o inferno do mundo online cheio. E é para lá que provavelmente este irá
também. No entanto resolvi que era chegada a hora. Numa época do ano de datas
muito pouco festivas da minha história, que coincidiram com o inicio da
concretização de um sonho que tenho desde garota, resolvi ir ao meu primeiro
dia de escola do mundo dos e das poetas online que há por esse mundo fora. Afinal se há tanta gente a dizer o que bem lhe
apetece por que não juntar-me ao grupo? Sempre fui uma mulher do povo, e o povo é quem mais ordena.
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